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June 27 Escrever é...Quase analfabeto. Sem palavras, minha mente se encontra em uma marasmo intelectual sem precedentes. A ausência de palavras é tamanha que por vezes me pergunto se me falta leitura. Mas não, não é leitura apenas que me falta, mas paixões.
Escrever é se arrebatar; jogar-se à imensidão solitária do papel em busca de bons encontros (sábio Spinoza). E me faltava paixão! Não a paixão-lugar-comum, mas a larga e aventurosa paixão pelo novo!; corroer-se por dentro ao lembrar do que acaba de acontecer como se fosse a mais antiga das lembranças; lançar-se ao ar em devaneios tortos pra cruzar a fronteira do infindável.
Escrever apaixonado é, sem querer ser clichê, sê-lo; querer inovar, sem fazê-lo. Mas apaixonar-se escrevendo é também inspirador.
Canto sem perceber que aos cantos se espalha minha voz, perdida em tons diversos em uníssona desarmonia: é a música um texto de cinco linhas.
Ao despertar recrio o sonho das letras: um banho de letras frias e uma brisa quente de coesão, uma toalha pra secar as redundâncias, metáforas pra perfumar. A roupa em estilo formal, quase parnasiana. Os cardaços de coerência bem amarrados. Um título de abas curtas pra não expor a face ao raios fortes da amibigüidade. Estou pronto pra sair. Passos elegantes às primeiras linhas. Passos fortes e sem ritmo no clímax. Passos mansos e descansados no fim.
Ao final, percebo que escrever é um ritual de paixão e som, de ritmo e dor, de momento e prazer. Escrever, acima de tudo, é não saber o que se quer escrever e escrever sem saber o que quer. |
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