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September 13 Já nem sei se é meninice"Que me perdoem
Se eu insisto nesse tema
Mas não sei fazer poema
Ou canção
Que fale de outra coisa que
Não seja o amor"
Não recordo quem escreveu os versos acima, mas queria que fossem meus. August 28 Catando a poesiaEu não costumava ouvir Chico Buarque quando criança, a não ser quando eu passava férias na grande casa com pomar de um tio, Fernando. As recordações das férias tirando caju no pé são das melhores. Recordo de quando me espetei nas folhas de um abacaxi ainda na terra, e o meu tio dizia que iria nascer um abacaxi nas minhas pernas: eu acreditava. E chorava.
Mas recordo dos finais de tarde. Voltávamos do futebol no campinho e eu ia pro banho sob os protestos da minha tia que dizia que eu me sujava muito.
Enquanto eu tomava banho naquele banheiro de pouca luz, meu tio ligava a vitrola (sim, vitrola) e colocava pra tocar Noel Rosa, Nelson Gonçalves, Cartola e Chico Buarque. Lembro de saber de cor Conversa de Botequim do Noel, era minha preferida. Ouvi-la nos comerciais dos classificados do Globo era, ao mesmo tempo, nostálgico e irritante. O comercial não poderia me fazer esquecer minha infância pra me fazer lembrar do 534-4333 ao ouvir a música de Noel.
O fato é que eu cresci. Deixei de freqüentar a casa do tio Fernando por muitos motivos, mas nunca esqueci da fase feliz da minha infância, nem mesmo sob o forte apelo do 534-4333.
Os anos passaram, e eu entrei na faculdade. Detestei a faculdade de Direito. E em um dia não querendo ir, eu fui, mas passei no Centro primeiro. Entrei numa loja que vendia discos antigos, procurei promoções, encontrei uma coletânea do Chico Buarque por R$ 10 - relutei. Queria mesmo o CD do Charlie Brown Jr., mas custava R$ 25. Levei o Chico.
Ao chegar em casa, coloquei o CD de 20 músicas no rádio, e deixei tocar. Eu renasci. Desenterrei as letras do meu inconsciente e a melodia da minha infância tornou a residir no mais espaço mais íntimo dos meus ouvidos.
Não vivo mais sem Chico Buarque desde então. Não há coletânea em que ele falte. Conheço a discografia, me emocionei com Budapeste, comprei biografia, livro com todas as letras, e agora choro com Carioca. Cada vez que acho que não haverá surpresa, há. E não é com as músicas novas, mas com as antigas. Cada música me surpreende em momentos diferentes, parece que tudo estava escrito antes de eu nascer pra minha vida - e tudo isso é tão clichê.
O depoimento pode parecer o relato de um fã, mas não era pra ser.
Chico é a síntese da minha infância, ele ouviu tudo o que eu ouvi quando eu era criança nas minhas férias. E hoje ele toca tudo o que eu ouço e vivo a cada momento. Palavra de MulherChico Buarque/1985 Vou voltar Vou chegar Pode ser
1985 © - Marola Edições Musicais Ltda. Todos os direitos reservados Direitos de Execução Pública controlados pelo ECAD (AMAR) Internacional Copyright Secured July 26 Sem pautaO breu da madrugada escondia o horizonte. Entre o céu e o mar, nenhuma linha que indicasse onde um começava e o outro terminava. Sabia apenas que o velho dia já havia sucumbido às primeiras horas da madrugada. A praia deserta, um policial na ronda noturna, um casal nas pedras, e nós. Ela e eu enlaçados em direção às pedras do Arpoador. Era estranho aos dois estarem ali, tão de repente. Mas ali estavam. Ali amavam. Ela era uma morena de pernas suculentas. E não apenas as pernas, o corpo todo era pecaminoso: seios, braços, quadril, e aquele sorriso desaforadamente sedutor. O sorriso dela era qualquer coisa de alegria e contento, era uma curva de destaque entre todas as outras que possuía. Tinha ela 20 anos e poucos sonhos, mas julgava muitos. Conhecemo-nos no colegial e, desde então, nutríamos um pelo outro um desejo voraz que por muito tempo nos consumiu em um silêncio solitário, até que sob uma torrencial chuva no fim de uma tarde de domingo, ela me convidou a habitar-lhe as pernas e inocular naquele sorriso toda a torpeza de minha volúpia. Desde então passamos a nos encontrar com a freqüência e a intensidade dos grandes temporais. Tornamo-nos amantes e nos víamos apenas quando a vida nos dava chance de lhe trair, e nos encontrávamos intensos, flamejantes, e resplandecentes como relâmpagos. E tão-logo nos encontrávamos, despedíamo-nos. Em nossos corpos restavam as poças que faziam prova da tempestade que passara. Passamos um reveillon juntos nas areias de Copacabana. Envoltos pela alegria incontida dos espectadores, pela multidão que se espremia e tropeçava em nós, pela emoção da contagem regressiva ao lado dela, pela fumaça que encobria os fogos, eu, incrédulo, caminhei ao mar e deixei a onda molhar meus sapatos. Procurei o horizonte sem encontrá-lo; procurei razão nas flores lançadas ao mar sem encontrá-la; procurei estrelas sem encontrá-las; procurei sentido em estar ali, e encontrei um sorriso, um beijo, e um “Feliz ano novo”. O mar ainda molhava meus sapatos, e molhava agora os pés dela descalços – trazia nas mãos as sandálias que logo perderia. O mar encharcou meus sapatos. E ao chegar em casa, sozinho, o sol do novo ano estava alto. Tirei os sapatos, bati-os no chão, a sala se encheu de areia e levei os sapatos até o quarto, e a cama foi o destino mais óbvio. Eu estava de volta ao mar, mergulhando, e senti meu corpo boiar, e eu era carregado pelas ondas, e fechei os olhos esperando socorro. E tornava a abrir os olhos esperando ajuda, e tornava a fechá-los ainda esperançosos. Senti meu braço puxado pro fundo, cerrei ainda mais os olhos. A maré encobria meu rosto, e eu não ouvia mais nada que não fossem meus próprios gemidos. Foi a porta bater e eu acordar. Lembrei-me de deixar mais vezes a porta da varanda aberta pra não morrer de aflição nos meus intermitentes sonhos de afogamento. Cuidei de levantar e me lavar. Tinha sal em meu corpo todo, mas sentia o cheiro dela espalhado nos meus braços, no meu peito, nas minhas mãos, e não queria limpá-la de mim. Catei o celular no chão e quis encontrá-la, mas ela não quis. Ela havia me beijado, mas me recusou pelo resto da noite de 31: sem dizer porquês, sem dizer nada. Eu também calei até nos despedirmos. Voltei à praia, tirei as sandálias pra pisar na areia ainda suja daquela Copacabana pós-reveillon, molhei os pés e sentei à beira das ondas. Com o caule de uma flor devolvida pelo mar tentei escrever na areia alguma coisa. Nada além do nome dela aquela flor escrevia. A cada vez que o mar apagava, mais insistentemente a flor escrevia na areia, até eu lembrar da angústia do sonho, meu corpo boiando, os olhos cerrados, a mão que puxava pro fundo, o beijo, o “feliz ano novo”, as sandálias perdidas, a fumaça, o horizonte perdido, o nome dela na areia, que o mar voltou a apagar. Em setembro as noites costumam ser frias, e antes de partirmos ao Arpoador, pedi a ela que vestisse um casaco. Quando veio, vestia uma leve saia verde cobrindo os quadris, sem ocultar as pernas; o casaco branco cobria a camiseta de mesma cor; vestia também um desejo de se deixar amar à beira-mar, em uma fantasia romântica que lhe fosse inédita. Voltávamos ao mar pelo calçadão do Arpoador. Fugimos da areia úmida da madrugada e subimos nas pedras, demos a volta pelo canto da Praia do Diabo, e sentamos voltados para o Leblon. Contemplávamos as luzes da orla, a silhueta luminosa do Vidigal e um ao outro. Eu mergulhei nos lábios dela e a tocava, éramos ofegantes, e senti meu corpo boiar, e eu era carregado pros seios dela, minha mão puxava pra baixo da saia dela, cerrei mais os olhos. Os cabelos esvoaçantes dela encobriam meu rosto, e eu não ouvia mais nada que não fossem os gemidos dela. Disse-lhe obviedades românticas ao ouvido quando descíamos as pedras. Ela confessava sonhos, dividia vivências cotidianas, e, tão de repente, estávamos ali, com fogos de artifícios sobre nossas cabeças, em Ipanema, em setembro, e sem precisar lançar mão das metáforas os fogos explodiam sobre nós. Os fogos que a fumaça do reveillon nos havia poupado, e desta vez a praia era nossa, e ela era minha, sem pudores, sem temores, e estávamos ali, e tão de repente. Amávamo-nos. À beira-mar seguimos até o mirante do Leblon. De lá, procurei o destino sem encontrar; procurei uma razão sem achar; procurei naquela noite a linha do horizonte para escrever nela a nossa história, mas não havia linha pra escrever essa história sem destino batizada no mar, não havia linha pra escrever um destino desalinhado, não há linha no horizonte pra uma história sem pauta. May 06 OusarE se assim for, assim será. Importa que o coração mande e a razão se estrupilhe: Mais agir, menos pensar. Falar duas vezes antes do pensamento, E ousar.
A cada ato não encenado, Menos sentido; Menos completa; Mais sem graça A peça que a vida prega e interpreta.
Cala-te, cabeça! E discursa, coração! Filosofia nenhuma lhe interromperá. Busca o que teu for por vontade, E esquece o que for por direito, O amor não tem lógica racional
Que lhe explique: faltam palavras. Não há amor que se sustente por premissas, Teses, hipóteses, sínteses, ou antíteses. Rasgo os dogmas, os axiomas, e as verdades Pra viver, de fato, os desejos que puder.
E se não puder... Ah!, desafio a vida a me proibir. May 02 Os versos mais tristes"Posso escrever os versos mais tristes esta noite. "(...) Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. "(...) De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. "Porque em noites como esta tive-a em meus braços, Pablo Neruda
E por si só, ele se basta. Robson. June 27 Escrever é...Quase analfabeto. Sem palavras, minha mente se encontra em uma marasmo intelectual sem precedentes. A ausência de palavras é tamanha que por vezes me pergunto se me falta leitura. Mas não, não é leitura apenas que me falta, mas paixões.
Escrever é se arrebatar; jogar-se à imensidão solitária do papel em busca de bons encontros (sábio Spinoza). E me faltava paixão! Não a paixão-lugar-comum, mas a larga e aventurosa paixão pelo novo!; corroer-se por dentro ao lembrar do que acaba de acontecer como se fosse a mais antiga das lembranças; lançar-se ao ar em devaneios tortos pra cruzar a fronteira do infindável.
Escrever apaixonado é, sem querer ser clichê, sê-lo; querer inovar, sem fazê-lo. Mas apaixonar-se escrevendo é também inspirador.
Canto sem perceber que aos cantos se espalha minha voz, perdida em tons diversos em uníssona desarmonia: é a música um texto de cinco linhas.
Ao despertar recrio o sonho das letras: um banho de letras frias e uma brisa quente de coesão, uma toalha pra secar as redundâncias, metáforas pra perfumar. A roupa em estilo formal, quase parnasiana. Os cardaços de coerência bem amarrados. Um título de abas curtas pra não expor a face ao raios fortes da amibigüidade. Estou pronto pra sair. Passos elegantes às primeiras linhas. Passos fortes e sem ritmo no clímax. Passos mansos e descansados no fim.
Ao final, percebo que escrever é um ritual de paixão e som, de ritmo e dor, de momento e prazer. Escrever, acima de tudo, é não saber o que se quer escrever e escrever sem saber o que quer. April 01 MANGUE SECOA todos que estiveram ontem no Mangue Seco:
Não tenho palavras pra agradecer a presença de todos vocês, e espero que tenham gostado. Postei todas as fotos aqui no espaço. Sem muito tempo pra dizer mais por agora, despeço-me com o coração cheio de alegria por ter encontrado ontem grandes e leais amigos.
Abraços e beijos.
Robson Melo February 27 The first cut is the deepestPare e pense: em quem você pode confiar? Depois, desmembre mais ainda esse pensamento, e pense no que é confiança. Então, torne a torturar seus neurônios e me responda o que é desconfiança?
Pois é, este tem sido um dilema.
Por que confiar em alguém?
"The first cut is the deepest". Ouvi hoje essa frase, título de uma música de Sheryl Crow: o primeiro corte é o mais profundo, e como eu sei disso. Nunca mais serei o mesmo depois que me traíram a confiança, não terei mais o mesmo romantismo, a mesma crença no amor, e sei que isso faz parte do crescimento: a dor da decepção, ainda mais de quando é a primeira.
A confiança é resultado da ausência de más atitudes pelas pessoas que gostamos, ou a reiteração de boas atitudes. No entanto, nada disso torna ninguém capaz de fazer ou passar a fazer coisas ruins e deixar de fazer as boas. Confiança é uma proteção que tentamos usar, mas que acaba por machucar ainda mais.
Decepção é algo rotineiro e a vida é cheio delas. Confiar é crer, e crer é fruto de abstração, não é nada real. Então por que confiar? As pessoas são dignas disso?
Digo que não. Minhas experiências mostram isso a cada dia. É claro e evidente que confiança é algo perigoso, mas desde pequenos somos instruídos a confiar. Forçam-nos a acreditar e confiar em um número limitado de pessoas, como se elas fossem as únicas detentoras da segurança, da felicidade. Veja-se, por exemplo, que daí sugem os altíssimos índices de morte entre pessoas de mesma família, ou de abuso sexual, ou de violência gratuita.
Ora, em quem confiar então? A questão não reside em quem, mas em confiar. Confiança deveria ser abolida. Talvez uma presunção de normalidade de conduta sustentaria os modelos racionais da civilização moderna. Mas quem disse que esses modelos são os melhores?
Decerto, digo-lhes que a razão deste texto é uma decepção, mas que ao invés de sentí-la e sofrê-la no íntimo do meu peito, racionalizo-a e tento entender o motivo de não mais confiar nas pessoas que gosto. November 06 Sonetos de DesilusãoSONETO I
Persisto no erro a cada passo,
Resido em desprezo ao bem do acaso,
Perdi a mim mesmo dentro dos braços
Daquela branca de pés descalços.
Fui dela todo pelos meus dezeanos,
Perto aos vinte lhe entreguei aos danos
Do mundo fétido dos meus próximos.
Ensinaram a ela como são pródigos.
Gastaram-lhe tanto as pernas quanto os seios,
Fizeram-na de repouso para seus anseios.
Saciados, jogaram-lhe às sarjetas da cidade
E por haver de querê-la sem motivo
Recolhi do chão o resto dela vivo
Solitário e amargo, sem mais vaidade
SONETO II
Do relento, tirei-lhe ainda sã e bem composta
Acreditei cego que venceria a minha aposta.
Dei-lhe de mim a alegria repleta de meus tempos
Ouvi-lhe sereno as agonias e mesmo os lamentos
Deu-me a paz de seu ventre em recompensa,
Permitiu-me pela noite que lhe fizesse ofensa.
Louca, serviu-me à cama sua lúbrica juventude,
E sua boca me inoculou de prazeres amiúde.
Mas feneço a cada abraço em que ela me beija,
Pereço a cada olhar lascivo que tácito ela deixa.
Conquanto não a queira amar, resta-me dúvida:
Ama-me ou fui único que lhe deu amor sem queixa?
Disso, resta-me certeza de que amor que se deseja
É inalcançável até a morte, e impossível nesta vida.
Robson Melo
August 04 Pra que ela não me esqueçaDisse coisas a ela que ninguém mais disse Fui o homem que ela nunca imaginou ter Beijei-a enquanto ela esperava a retórica dos tolos Fui o homem que ela nunca encontrou em nenhum outro Enlacei minhas pernas com as dela só por carinho Fui o que ela nunca encontrou: homem Dei-lhe a noite de brinquedo, enquanto ela esperava dia Fui o que ela encontrou na imaginação Medi meus toques, controlei meus impulsos, mas finji-me voraz Fui o homem, a imaginação, o nunca, o depois Fui, dela, a simples complexidade de sentir-se mulher Robson Melo
July 17 Soneto ao fogo, no invernoEnquanto cai a noite fria sobre nossos corpos,
Laceamos nossas mãos em profunda volúpia,
Entregamos, em olhares, os desejos mais ardorosos,
Flamejantes e inquietos de uma alegria dúbia.
Cobre-me o véu lânguido dos cabelos teus.
Inebriantes ondas escuras onde ouso navegar.
Que turvam meu peito, e sem temor a Deus,
Tentam-me a carne; fazem-me pecar.
Quanto ao calor que tua carne propaga,
Derrete meu sono; minhas noites; minha calma.
É algo que consome os sentidos e não se apaga.
Por ser desejo, tu és linda e envolvente;
Por ser mulher, tu és da existência, o sentido
Por ser tu, és amor em sua forma mais quente.
Rio, 17 de julho de 2005
Robson Melo
![]() Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. July 16 Quem tá certo?Contra Deus e contra as leis
Contra o mundo de mentira Desorganizem o modelo O progresso ta na mira A verdade escondida
Num cofre do Estado Guardado a quinze chaves Com corrente e cadeado Liberdade vigiada
Por câmeras escondidas Não sei quem me vigia Quem controla minha vida? Ação e reação
De um mal por nós gerado Se não fossem os muros Não seriam pichados A casa caiu, meu irmão
Verme, bandido, assassino! De quem tu ta falando? Da polícia ou do menino? Cadê o Estado? Cadê a verdade?
Cadê essa tal de felicidade? Me deram as leis
E disseram pra mim Que com elas nas mãos Tudo iria ter fim Mas as leis não tem valor
Mentiram pra gente Essa porra é um horror Imundaram sua mente Democracia é o que?
É povo com poder Então cadê o poder? O povo quer saber. Essa merda de imprensa
Celebridades idiotas Célebre burrice De mentiras e lorotas Eu vivo o pesadelo
Da juventude fútil Pegar, ficar, traçar Não fazer nada de útil Cadê a justiça? Cadê o poder?
Cadê o respeito e a vontade de fazer? To com a arma apontada
Pra cabeça do seu pai Seqüestros e assaltos Não te deixam mais em paz Acabou o teu sossego
A guerra ta na rua Você não tem emprego E a culpa não é sua Justiça não existe
A lei é a do cão Ou você já ouviu falar Em constituição? Defenda seu país
Proteja sua pátria De barriga vazia Você morre ou mata Seja feliz, meu irmão
Trabalhe. E não vire ladrão Porque se você roubar A cadeia te espera Cheia de bandidos Dentro e fora dela Não seja do crime
Não roube, não fume Não atire, não me mate Leve tudo! Tudo. PA-PARA-PAPA! BUM! BUM! BUM!
Minha vida se foi.
E a sua foi também. Estamos livres do mundo Não somos mais de ninguém Robson Melo
![]() Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. July 15 Ah!Ah! Se minha tu fosses
Ah! Se o sorriso lindo teu
Ah! Se eu caísse no pecado
Abandonaria o mundo por ti
Robson Melo
![]() Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. July 14 Não te amariaSão meus olhos os culpados.
Maldigo tê-los em minha face. Não fossem meus olhos, eu não te veria. Não fossem eles, não te quereria. Sem ver teu rosto, não te amaria. Meus ouvidos são malditos.
Ouvem-te sublime e afinada. Ausente deles, não te escutaria. Sem ouvidos, mais feliz eu seria. Não fosse tua voz, não te amaria. Mas má é também a minha boca,
Se não sinto teu doce lábio lúbrico. Sem ela, amor a ti, eu não diria. Boca ignóbil!, em mim não serviria Sem oscular teu mel, não te amaria. Mãos e pele não me servem,
Se há ausência do calor que é teu. Fosse nada meu corpo, não desejaria E o ardor lascivo não me consumiria Não fosse meu querer, não te amaria. Meu nariz eu quero condenar
Teu cheiro me enfeitiça fácil. Entorpece tua essência que me faria Dependente de um aroma que acabaria E não fosse o vício, não te amaria. Mas malévolo e perverso é meu coração
Guarda tua imagem perpetuamente Não fosse meu peito, te destruiria Sem ele, eu nem ao menos te sentiria Mas com ele eu somente te amo, Maria. Robson Melo ![]() Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Porta-retratoPorta-retrato O meu peito todo é O seu porta-retrato E quando quero ver Você no meu quarto Lembro seus cabelos Cobrindo o meu rosto
Desejo-lhe as pernas Também os seus braços Lembro-me das cenas De seus embaraços Cores suas, morena De todos seus espaços
Esse seu retrato em mim Não me sossega o sono Pois, ensandece, outrossim Pelo medo do abandono Não que eu quisesse assim Mas não sou o meu dono
Pinto seu retrato mágico Sobre tela de papel fino Tintas desse pincel único: Minha candura de menino Traços de pintor cínico Corrompido e libertino
São derradeiros os versos As memórias deveriam ser Também assim, mas peço Que essas fotos de você Essas que nunca esqueço Sejam, pra mim, o fenecer ![]() Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. InícioA patir de hoje, tornarei a internet um lugar onde publicarei algumas coisas que escrevo. Serão as minhas idéias, os meus sonhos e as minhas mentiras. Mas estarão disponíveis àqueles que quiserem. Pelo menos, por agora agora, somente amigos como você poderão acessar.
A distribuição é livre. Caso queira, pode repassar os textos a quem você quiser, desde que acompanhe a licença de distribuição abaixo. Preserve os direitos autorais, mas divulgue o que achar importante.
Sem mais, fica um abraço e a esperança de que goste desse lugar e de todos os outros lugares para os quais poderá partir através dele.
Robson Melo
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